o fim da Revolda da Chibata
A Revolta da Chibata iniciou-se no dia 22 de novembro de 1910, conforme mencionado, após a punição a um marujo de nome Marcelino. Os marujos rebelaram-se e tomaram o controle de quatro embarcações da Marinha brasileira: Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro. Os marujos revoltosos exigiam do governo o fim dos castigos físicos; caso contrário, a capital seria bombardeada. A liderança desse motim foi realizada por João Cândido, o Almirante Negro.
Os marujos revoltosos escreveram um manifesto que resumia as suas exigências e enviou-o para o gabinete do presidente da época, Hermes da Fonseca. Coincidentemente, no dia em que se iniciou a revolta, o presidente oferecia uma festa no Rio de Janeiro em comemoração a sua posse como presidente.
Não se sabe ao certo quem foi o responsável por redigir o manifesto com as exigências dos marujos, mas esse documento foi considerado muito bem escrito. Os historiadores apontam que provavelmente ele foi elaborado por Adalberto Ferreira Ribas. A respeito desse documento e das demandas solicitadas nele, a historiadora Sílvia Capanema afirma:
era bem redigido e caligrafado, apresentava várias demandas objetivas – fim dos castigos corporais, aumento do soldo, substituição dos oficiais tidos como incompetentes, melhoria no nível de educação de alguns marujos – e resumia, de forma pensada, o espírito central dos marinheiros, que se apresentavam como “cidadãos brasileiros e republicanos” que não “suportavam mais a escravidão na Marinha”. Quanto aos aspectos materiais do texto, tudo indica que foi escrito – ou redigido – por alguém que dominava a caligrafia e tinha bela escritura.
Pressionado tanto pelas ameaças dos marujos quanto de políticos, o governo de Hermes da Fonseca aceitou os termos propostos e pôs fim aos castigos físicos na Marinha em 26 de novembro de 1910 e prometeu anistia a todos os envolvidos. A promessa do governo não foi cumprida e, no dia 28 de novembro, um decreto dispensou cerca de mil marinheiros por indisciplina.
Após isso, uma segunda revolta na Marinha iniciou-se, dessa vez, no Batalhão Naval estacionado na Ilha das Cobras. Essa segunda revolta, no entanto, foi massacrada violentamente, e os envolvidos foram aprisionados e torturados nessa ilha. Outras centenas de marinheiros foram enviados para trabalhar em seringais na Amazônia e muitos foram fuzilados durante o trajeto.
Os marinheiros foram presos na ilha das cobras sede do Batalhão Naval. Sentindo-se traídos, os marinheiros se amotinados, em 9 de dezembro em 1910. A resposta do governo foi dura e a prisão foi bombardeada e destruída pelo exército, matando centenas de fuzileiros navais e prisioneiros. Os amotinados, totalizando 37 pessoas, foram recolhidos a duas prisões solitárias, onde morreram sufocados. Somente João Cândido e outro companheiro de luta sobreviveram. Com isso, em 1911, aqueles que aderiram ao movimento já haviam sido mortos, presos ou expulsos dos serviços militares. Muitos dos envolvidos foram mandados para campos de trabalhos forçados nos seringais da Amazônia e na construção da ferrovia Madeira-Mamoré.
Como saldo, o conflito deixou mais de duzentos mortos e feridos entre os amotinados, dos qual cerca de dois mil foram expulsos após revolta. Na porção legalista, morrem cerca de dezembro pessoas, entre oficias e marinheiros.
Quando o líder, João Cândido, após aobreviver a prisão e ter sido inocentado, ele foi considerado desequilibrado e internado num hospício. Por sua audácia, a imprensa da época chamou Almirante Negro.
Ele seria absorvido das acusações de conspiração 1° de dezembro de 1912, mas foi expulso da Marinha. Sobreviveu como pescador e vendedor até que o jornalista Edmar Morel resgatou sua história de esquecimento e lançou o livro "A Revolta da Chibata", em 1959.
Somente em 23 de julho de 2008, o governo brasileiro entendeu que as causas da revolta eram legítimas e concedeu anisitia aos marinheiros envolvidos.