Causa da Revolta da Chibata
A Revolta da Chibata é amplamente conhecida por ser a reação dos marinheiros brasileiros aos castigos corporais a que foram submetidos. A Marinha do Brasil tinha a prática na época de usar o chicote como forma de punição para seus marinheiros caso descumprissem o código de conduta da empresa.
O uso do chicote pela marinha brasileira como punição é uma herança colonial da marinha portuguesa, transmitida a partir de um código chamado Regulamento de Guerra. O uso do chicote como punição é específico para marinheiros que ocupam uma posição inferior na hierarquia naval. Geralmente, os cargos mais baixos da Marinha são ocupados por negros e mestiços.
As queixas dos marinheiros sobre o açoitamento têm uma longa história, incluindo pouco antes do motim sobre a punição de um marinheiro enquanto navegava na costa do Chile. O gatilho que levou ao início da campanha foi a punição de Marcelino Rodrigues Menezes - 250 chibatadas.
No entanto, a “revolta da chibata” aconteceu não apenas pela insatisfação com os castigos corporais, mas expressou a insatisfação dos marinheiros pertencentes à classe baixa com o racismo e a desigualdade social que existia na empresa. Para as historiadoras Lilia Schwartz e Heloisa Starling, "A Revolta da Chibata" "também é responsável por expor publicamente a violência do Estado contra os pobres, bem como o racismo e a brutalidade que prevalece nas fileiras das Forças Armadas".
Maria Cecilia Marques